Na semana passada, a VIA Techologies anunciou a chegada oficial de seu novo processador VIA Nano, que irá suceder o atual VIA C7 já analisado por esse Zumo. Baseado na microarquitetura Isaiah, o Nano é um chip X86 que mantém a tradição da empresa em produzir processadores com uma boa relação entre desempenho e baixo consumo de energia — e isso desde uma época em que nem se falava em aquecimento global ou computação verde.

O Zumo teve acesso — com exclusividade — a uma placa-mãe Mini-ITX já equipada com esse novo processador e aproveitamos a oportunidade para avaliar seu potencial de um produto que irá bater de frente com o processador Intel Atom no capítulo mais recente dessa Guerra dos Nanicos.

Para quem ainda não foi apresentado, o VIA Nano é um chip de 65 nm com quase o dobro do número de transístores do VIA C7 de 90 nm. Graças à essa combinação de fatores, o Nano consegue manter um envelope térmico bastante baixo, ao mesmo tempo que incorpora novos recursos, como suporte para virtualização, segurança, gerenciamento de energia e processamento de mídia. Inicialmente, o Nano estará disponível em 6 modelos nas versões de baixa (Lxxxx) e ultra-baixa voltagem (Uxxxx), a saber:

O produto é direcionado para um público-alvo que alguns já chamam de “geração conectada” que demanda dispositivos capazes de se manter conectados com a internet a qualquer hora em qualquer local. Traduzindo para o mundo da tecnologia, UMPCs, Netbooks e até mesmo sua versão de mesa, os chamados Nettops.

Zumo avaliou a placa-mãe VIA EPIA SN 18000G (acima), já equipada com um processador Nano L2100 de 1,8 GHz (o mais veloz da linha). Trata-se de uma placa padrão Mini-ITX de 17 x 17 cm  (LxA) que pode ser montada em qualquer gabinete ATX do mercado (yay!) e notamos também que seu conector de energia segue o velho padrão ATX de 20 pinos, melhorando ainda mais sua retrocompatibilidade.

Como na PC3500G, a SN utiliza um curioso cooler que cobre tanto o processador quanto seu chipset North Bridge VIA CN896. Fora isso, a SN possui uma saída de alimentação para um ventilador externo normalmente instalado para melhorar a circulação de ar no interior do gabinete.

Para uma plaquinha tão pequena, a EPIA SN é bastante rica em recursos. Ela veio equipada com dois slots para pentes de memória DDR2 de 440 até 667 MHz, quatro portas SATA 300 com suporte para RAID, uma EIDE, quatro USBs, duas portas de rede (Fast e Gigabit Ethernet), duas PS/2, uma serial, uma SVGA e som. Fora isso notamos um curioso conector que, segundo o fabricante, seria usado para instalar daughter-cards com suporte para interfaces DVI e LVDS e, quem sabe, as tão faladas aceleradoras gráficas da NVídia. Ao contrário da PC3500G, a SN são vem mais com slot PCI, apenas uma PCI-E x16 de 1ª geração.

Curiosamente, outros dois slots estão disponíveis na parte de baixo da placa-mãe: um para cartão CompactFlash (em cima) e outro para pente de memória padrão SO-DIMM (embaixo), opções interessantes para aqueles que desejam desenvolver produtos e soluções com SO embarcado, como equipamentos de rede, servidores domésticos ou até mesmo Thin Clients.

Entre os recursos internos da SN estão o chip de som HD VT1708A da própria VIA, chip de segurança SLB9635TT (TPM 1.2) da Infineon e uma aceleradora gráfica VIA Chrome9 HC 3D/2D com suporte para DX9. Talvez por causa disso, essa placa seja mais indicada para Windows 2000, XP e Linux. De qualquer modo, esse problema pode ser contornado com a instalação de uma placa de vídeo com DX10 em seu slot PCI-E e  o uso dos drivers para Windows Vista disponíveis pela empresa.

Para realizar os testes, precisamos apenas instalar um pente de memória DDR2 667 e um disco rígido SATA 300 de 7.200 rpm/80 GB, um gravador de DVD USB e uma fonte ATX padrão para colocá-la em funcionamento. Como nosso desejo era de avaliar todo o pontencial da placa — inclusive da sua aceleradora gráfica integrada — optamos por usar o Windows XP Pro SP2 no lugar do Vista.

Nos testes realizados, a EPIA-SN obteve 46 pontos no Sysmark Preview 2007, 1.641 pontos no PCMark 05 e 114 pontos no 3DMark 06. Para processar nosso filme de referência para um arquivo AVI de 700 MB no AutoGK, o sistema levou 3h57m57s. Nos testes de rendering do Cinebench R10 o Nano bateu 1.106 CB-CPUs no modo single CPU, mas não produziu um resultado no multiple CPUs por não emular mais dois processadores, como fazia o Pentium 4 com HT e o Intel Atom. Seu consumo de energia variou de 48,8 watts (em espera) até 70,2 watts (máximo). Se comparado com os resultados (comparáveis) do PC3500, o EPIA SN apresentou um ganho bastante significativo de desempenho, chegando a valores de 66% a 75%.

Com isso, podemos afirmar que a plataforma VIA Nano realmente se estabelece como um forte concorrente no segmento de computação de baixo consumo. Resta agora compará-lo com a nova plataforma Intel Atom, e ver do que o chip de Santa Clara é capaz de fazer, o que pode ser o assunto de outra análise.

Resumo: Placa-mãe EPIA SN18000G com processador Via Nano L2100 de 1,8 GHz
O que é isso? — Placa-mãe do tipo tudo-em-um para PCs de entrada.
O que é legal? — Tecnologia avançada, compacta, rica em recursos.
O que é imoral? — Não possui slot PCI.
O que mais? — Trata-se de uma plataforma bastante flexível e uma grande evolução se comparada com a plataforma C7.
Avaliação: 4,5 (de 5).
Preço sugerido: não divulgado.
Onde encontrar: www.via.com.tw