Shelly Lazarus, Ogilvy & Mather WorldwideOntem fui ao Verge, encontro digital da agência OgilvyOne, para ver Shelly Lazarus, CEO da Ogilvy & Mather Worldwide falar.

Apesar de ter conversado com algumas pessoas que consideraram o keynote de Lazarus um pouco de “mais do mesmo”, valeu para aprender coisas novas e compartilhar algumas experiências que têm a ver com este Zumo.

Lazarus discutiu basicamente como a comunicação - seja a publicidade ou o jornalismo - têm que virar a “esquina na era da informação”, com três pontos principais:

1) O valor de uma marca hoje é determinado pela força de uma idéia (ok, a web pode construir ou destruir essa idéia).

2) Velocidade e tempo de resposta; quanto mais rápido, melhor. “Tem que tentar e fazer, é instantâneo”. Bem, Shelly, ter um blog é bem isso mesmo. Por isso este Zumo tem um canal do Twitter aí ao lado, pra começar a cobrir coletivas em tempo real. Errou? Corrige. Chegou foto nova? Troque. Tem vídeo? Faça upload. A web é pra isso mesmo, experimentar.

3) (essa é a mais divertida) “Somos inexperientes com os novos canais. E não tem problema. Não sabemos as respostas e vamos aprender juntos”. É bem isso, apesar de soar datado em 2008. “Temos que ser bravos, ousados, diferentes, experimentar mais, refinar mais, otimizar mais”, disse. Internet é tentativa e erro, não?

Tem muita gente - empresas, agências, assessorias de imprensa - que não sabe o caminho. Toda semana alguém me pergunta quais blogs eu leio. Por que leio. Como e quando leio.

(Vejo que “social media” precisa de direcionamento dentro das agências de PR, sem dúvida, que vão acabar direcionando seus clientes. Pouca gente - e quase sempre gente grande - tem feito alguma coisa nesse sentido, e sinto que está todo mundo perdido. Pequenas agências, coitadas, ignoram a existência de internet, por conta de sua estrutura. Em vez de “media training” para executivos, que tal “social media training”. E tem que ter mais de uma fonte de informação, de ponto de vista.)

Apesar de mais de 30 anos de atividade em publicidade, Shelly Lazarus se considera otimista sobre o futuro. Alguém da platéia questionou sobre o iminente fim das publicações impressas, e ela respondeu que - como este jornalista - acredita em “mais escolhas, mais mídia”. Ao meu ver, diferentes áreas da comunicação são complementares. Este blog dialoga com outros - e com sites de notícias também, por que não. O que escrevo em um texto para o jornal interfere e dá idéias para o Zumo, e por aí vai.

Um dos exemplos mais legais que a executiva da Ogilvy deu foi o de uma campanha feita para a IBM, envolvendo conteúdo (de teor jornalístico) na propaganda. A IBM Doing passou em um canal de TV nos EUA, como um programa de documentários patrocinado pela IBM. Passou no Joost. Em aviões da British Airlines. No metrô de Londres e no trem que vai para o aeroporto de Heathrow. E em mais um monte de “mídias” que muita gente nem imagina ser oficialmente “mídia” (ei, agências!). “É um novo mundo de entretenimento para as marcas”, afirmou.

É isso. Desabafo feito, de volta à vida.