patrick_head.jpgComo disse em um post anterior, na última sexta feira durante a visita aos boxes da equipe AT&T Williams tive a oportunidade de bater um papo com Patrick Head, diretor técnico da equipe e 30 anos de F1.

A propósito, não se assustem com a cara de mau da foto de divulgação. Mr. Head é uma pessoa muito simpática. :^)

Veja abaixo os melhores trechos dessa divertida conversa:

O sr. pode fazer um balanço da equipe nessa temporada?

Patrick Head: Bem, acho que isso depende do ponto de vista, já que viemos de um ano extremamente ruim em 2006, quando acabamos em oitavo lugar no campeonato. E isso ocorreu em parte por causa de um desempenho inadequado, resultados inconsistentes de pista para pista e uma igual parte devido à baixa confiabilidade.

Logo, nesse ano decidimos analisar o mau desempenho (do ano passado) e decidimos o que fazer para aumentar o desempenho geral do carro, torná-lo mais adaptável de pista para pista para que possamos ser mais consistentes em termos de resultados e dedicar bem mais atenção no trabalho realizado nos bastidores para melhorar a confiabilidade. Assim, nos concentramos em três coisas: desempenho, consistência e confiabilidade.

Dias atrás ouvi uma palestra do diretor técnico da equipe BMW. Ele falou muito de seus investimentos em computadores, passando a impressão de que se eles tiverem todos os recursos e poder de computação suficiente para seus testes e simulações, eles poderão ir para onde quiserem. O senhor acha que esse é o ponto?

Obviamente os sistemas de computador são muito úteis mas, fundamentalmente, as coisas que você decide fazer com os computadores vem de cérebros humanos e, definitivamente em CFD e simulações em geral, os sistemas de computador são extremamente úteis, mas você precisa de mentes brilhantes para decidir o que colocar nas máquinas e interpretar a informação que sai deles.

OK, com isso o senhor quer dizer que os computadores são uma ferramenta importante…

Sim, são ferramentas fantásticas para os engenheiros e o pessoal das simulações utilizarem.

Se o senhor pudesse olhar para o passado e rever todas as inovações tecnológicas que vocês criaram e foram banidas pelo regulamento, quais delas você voltaria a utilizar em seus carros se tivesse a autorização?

Uma que eu particularmente gostei é a suspensão ativa, mas ela foi banida sob a alegação de que era um auxílio para o piloto, o que não era verdade. A verdade é que um dos motivos para sua proibição é que a Ferrari nunca conseguiu assimilar essa tecnologia. De fato, eles não conseguiram fazer o sistema deles funcionar de jeito nenhum! (risos)

A suspensão ativa era fantástica. Porque um carro de Fórmula 1 está sujeito a uma grande variação de altura (em relação ao solo) e, para o carro transportar sua carga, precisamos de suspensões bastante firmes. Em velocidades baixas um carro de F1 precisa de suspensões muito, muito firmes para ter ótimo desempenho em curvas e coisas do tipo. E com a suspensão ativa éramos capazes de correr macio com a mesma carga, mantendo uma baixa distância do solo, compensado a pressão do ar atuando na suspensão e acho que essa foi uma das coisas mais interessantes. E tudo isso se tornou viável graças ao uso de computadores instalados no carro e foi um grande desafio técnico — para nós — torná-lo confiável em com todos seus aspectos eletro-hidráulicos e eletrônicos.

Também trabalhamos em dois tipos de transmissão contínua variável (CVT — Continuously Variable Transmission), sendo que um deles usava um contato rolante de funcionamento mecânico, e quando trabalhávamos em algo mais próximo de ser usado nas pistas em parceria com uma empresa holandesa — que acho que hoje faz parte do grupo Robert Bosch — onde produzimos um sistema de transmissão CVT e estávamos testando nas pistas quando, infelizmente, foi banido antes mesmo que pudéssemos usá-lo numa corrida, o que foi uma grande pena.

Antigamente, tivemos grandes resultados com minissaias deslizantes, o que foi um grande desafio e uma técnica interessante mas não gostaria de voltar para essas coisas.

Depois de tanto trabalho e esforço no desenvolvimento nessas tecnologias que acabaram sendo banidas, isso não é um pouco desapontador?

Sim, isto é desapontador, mas o problema é que se você criar um super carro de seis rodas com grande aerodinâmica, suspensão ativa e transmissão CVT, ele seria tão veloz que os espectadores nem conseguiriam vê-lo na pista (risos). De modo que as limitações progressivas são necessárias, assim os engenheiros estão sempre procurando um jeito de superá-las.

Isso faz parte do jogo?

Sim, faz parte do jogo.

E o que esperar de mudanças para o próximo ano?

Como estão as regras nesse momento, haverá um pequeno número de mudanças para o carro do próximo ano. Logo, em termos de regulamento, é claro que construiremos um carro completamente novo e obviamente estamos planejando que ele seja muito mais competitivo e mais perto da liderança, bem mais do que estamos hoje.

Para 2009, planejamos grandes modificações. Iremos para pneus slick (sem ranhuras) e mais limitações em termos de efeitos aerodinâmicos.

E o que vocês planejam para superar essas limitações? Algo especial?

Bom, se estivermos obviamente não iremos contar para você (risos). Mas as diversas modificações irão envolver uma melhora na aerodinâmica e na suspensão do carro. E como você já deve saber termos um sistema de computador mais poderoso da Lenovo para nosso grupo de CFT, mas ainda estamos falando do início desse projeto.

Não é porque somos patrocinados pela Lenovo, mas trata-se de um ótimo sistema, e eles construíram um ótimo conjunto formado por várias e várias estações de trabalho que trabalham juntas para oferecer grande capacidade de memória e de processamento. Sim, ele poderia ser maior, mas ele se equipara — em termos de capacidade — com qualquer equipamento no mundo.